A menina apareceu grávida de um gavião. Veio falou para a mãe: O gavião me
desmoçou.
A mãe disse: Você vai parir uma árvore para a gente comer goiaba nela.
E comeram goiaba.
Naquele tempo de dantes não havia limites para ser.
Se a gente encostava em ser ave ganhava o poder de alçar.
Se a gente falasse a partir de um córrego a gente pegava murmúrios.
Não havia comportamento de estar.
Urubus conversavam auroras. Pessoas viravam árvore. Pedras viravam
rouxinóis.
Depois veio a ordem das coisas e as pedras têm que rolar seu destino de pedra
para o resto dos tempos.
Só as palavras não foram castigadas com a ordem natural das coisas.
As palavras continuam com seus deslimites.
desmoçou.
A mãe disse: Você vai parir uma árvore para a gente comer goiaba nela.
E comeram goiaba.
Naquele tempo de dantes não havia limites para ser.
Se a gente encostava em ser ave ganhava o poder de alçar.
Se a gente falasse a partir de um córrego a gente pegava murmúrios.
Não havia comportamento de estar.
Urubus conversavam auroras. Pessoas viravam árvore. Pedras viravam
rouxinóis.
Depois veio a ordem das coisas e as pedras têm que rolar seu destino de pedra
para o resto dos tempos.
Só as palavras não foram castigadas com a ordem natural das coisas.
As palavras continuam com seus deslimites.
• Manoel de Barros - Matéria de Poesia